Antes de chegar até nós por meio dos colonizadores portugueses, as "
Folhas Soltas" com poemas e notícias já haviam se tornado fonte de renda alternativa para cegos que as vendiam nas feiras e portas de igrejas da
Europa medieval. Evoluindo de formato (da folha solta para o folheto encadernado) os poemas passaram a ser dependurados em cordões nas bancas dos vendedores, daí a denominação
Literatura de Cordel (cordel que no português lusitano é o mesmo que cordão em nosso português brasileiro).
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Capa do folheto Peleja de Cego Aderaldo com Zé Pretinho do Tucum de Firmino Teixeira do Amaral, xilogravura de autor desconhecido, s/d. |
No
Nordeste do Brasil os
cantadores repentistas foram responsáveis pela disseminação da
poesia popular, tempos antes do surgimento dos folhetos, percorrendo as cidades e povoados cantando notícias, ocorridos, romances e um vasto repertório de canções. Ganhando força e expressão próprias com a inserção de fatos, dialetos, personagens, crenças e mitos de cada localidade, esta forma de comunicação seguiu crescendo cada vez mais principalmente entre os moradores das zonas rurais. A Literatura de Cordel ganhou cada vez mais espaço nos centros urbanos e hoje é identidade do povo nordestino, tornando-se forte ícone da cultura popular do país.
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Capa do "Romance do Pavão Misterioso História Completa", do poeta João Melchíades Ferreira. Ilustração em clichê de autor não informado. Edição publicada em 08 de outubro de 1959 pela Tipografia São Francisco, Juazeiro do Norte-CE.
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No Cariri cearense nasceram grandes repentistas e cordelistas, poetas importantes que tornaram a região referência na produção de literatura popular. Muitos migraram para o Juazeiro do Norte em busca de novas oportunidades. Entre os principais destacam-se: Patativa do Assaré, Aderaldo Ferreira de Araújo (Cego Aderaldo), Pedro Pereira da Silva (Cego Oliveira)
José Bernardo da Silva,
Manoel Caboclo e Silva,
Expedito Sebastião da Silva, os irmãos Bandeira, e tantos que formam ao lado de outras estrelas o céu da nossa poesia.
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